Como é Terra do Fogo?Há quase 500 anos, um grupo de exploradores do Velho Mundo avistou as costas de uma terra desconhecida. Fogos dispersos e colunas de fumaça das fogueiras dos nativos pareciam boiar sobre as águas, no nevoeiro do amanhecer. Possivelmente foi esse entorno místico o que deu seu nome à Ilha: Terra do Fogo. O que alguma vez foi um lugar inóspito e remoto, hoje atrai milhões de pessoas de todas as partes do mundo. Aventura, emoção, história e lenda: descubra todo o que esta Ilha tem para lhe oferecer. Contemple por si mesmo nossos fogos austrais e deixe abrir sua imaginação. Para que possa ir armando sua própria postal de nossa terra temos reunido aqui algumas impressões de viajantes que plasmaram suas idéias em forma escrita e que ajudarão você a imaginar como é este lugar do mundo, com suas paisagens e sua gente. “Na extremidade da aquela extensíssima língua de terra da América do Sul, que vai se estreitando à medida que se aproxima do Pólo, banhada por dois oceanos, o Atlântico e o Pacífico, o continente parece ter-se esmiuçado em um vasto arquipélago que, separado da terra firme pelo Estreito de Magalhães, penetra nas frias e misteriosas solidões do Antártico, sob o sugestivo nome de Terra do Fogo” Alberto De Agostini “Não só vi anões e gigantes, bosques subterrâneos, selvas antárticas, grutas submarinas e colossos de granito, mas também vi as portas incólumes do paraíso” Julio Popper “Porque, pois – e não sou o único a quem lhe acontece, porque estes áridos desertos têm enraizado tão profundamente na minha memória?” Charles Darwin “Do alto do Cabo Domingo desfruta-se de um soberbo panorama do inteiro horizonte. Embora careçam completamente de vegetação, atraem e impressionam as planícies e vales por essa poderosa fascinação que exercita o indefinido e pela misteriosa grandiosidade que emana de aquelas imensas solidões” Alberto De Agostini Ambiente NaturalAqui lhe entregamos informação geral de nossa Província, baseados nas perguntas mais freqüentes das pessoas que nos consultam. A Terra do Fogo é uma ilha? A Terra do Fogo foi o nome dado às terras situadas no Sul do Estreito de Magalhães, sem saber quanto mais na direção sul se estendem. Atualmente este nome é o que denomina ao Arquipélago formado pela Ilha Grande e centenas de ilhotas e ilhas menores até a latitude do Cabo de Hornos no sentido Sul. O nome é o mesmo tanto para um lado quanto para o outro da fronteira Argentino-Chilena. A Ilha Grande é a maior da América do Sul e se divide em duas partes através do meridiano de 68º 36’que é o que corresponde à fronteira internacional e atinge uma superfície de aproximadamente 45.000 km2. A fronteira continua depois no sentido Leste, acompanhando a direção do Canal Beagle, o qual define como território chileno a todas as ilhas e ilhotas no Sul da fronteira, incluindo Ilhas como Hoste, Navarino, Picton, Lennox e Nueva, entre outras. Como é a paisagem que percorrem as excursões? Coincidindo com a nossa recomendação em Como chegamos? faremos um roteiro virtual de Norte a Sul. Daremos uma ajuda para que você possa construir sua própria imagem que pode completar com um percurso pela nossa galeria de fotos. A zona Norte da Ilha se caracteriza por ser uma continuação da estepe magalhânica ou patagônia, onde a planície está coberta por um tipo de vegetação, na que predominam as gramíneas (Festuca spp.), salpicadas por áreas verdes de arbustos (Mata verde e Mata negra). É esse o espaço que alterna com as “várzeas” (zonas mais úmidas ao longo dos cursos de água), onde melhores condições encontram as ovelhas e as vacas para pastar, por causa disso a terra é quase exclusivamente utilizada para a criança desses animais, dando à paisagem um ambiente rural por excelência. Também percorrem esta área alguns representantes da fauna silvestre, tales como guanacos e raposas, além de numerosas espécies de aves. Por momentos, a rota se aproxima do mar. A oportunidade é ótima para observar a praia e caso a época seja a adequada, é possível avistar algumas das aves que migram do Ártico e permanecem na Reserva Costa Atlântica durante nosso verão (Local Ramsar). A Rota Nacional nº 3 é uma alternativa excelente para percorrer este tipo de paisagem, com a variante que oferecem as denominadas Rotas Complementares 5, 8 e setor Norte da 9.Aqui podem ser apreciadas as exclusividades da arquitetura fueguina, muito bem representada nas partes centrais de algumas das Fazendas da zona. À medida que continue no sentido Sul, o releve vai começando a se ondular e se apresentam separadamente alguns espaços verdes de bosque, salpicados com lagoas. Esta área é conhecida como “parque fueguino”. Combina vegetação característica do ervaçal da zona Norte com o bosque, vegetação dominante da paisagem na zona Sul. O bosque é distribuído em espaços verdes ou manchas, representado principalmente pelo “ñire” (Nothofagus antarctica) e também apresentam-se vales ocupados por pequenas turfeiras. Está atravessando o Coração da Ilha, onde se encontra a Reserva Provincial homônima (link para Áreas Protegidas). Aqui começam a se alternar Fazendas pecuárias com empreendimentos florestais e durante o percurso por esta zona, tanto ao longo da Rota Nacional nº 3, quanto das Rotas Complementares nº 9 (setor Sul), 16, 18 e 21, você vai ver as partes centrais de Fazendas (de menor importância que as que se encontram na direção Norte) com pequenas e medianas serrarias. Seguramente também aqui verá guanacos e raposas, e também já começam a ser vistos os efeitos dos castores na paisagem. O grande limite natural entre o Norte e o Sul da Ilha é o magnífico Lago Fagnano. Um amplo vale erodido por glaciares contém as águas deste corpo de água doce, o maior de todo o Arquipélago e que marca uma notável divisão entre a zona Norte e Sul. A rota começa a subir beirando os Andes, que junto com o bosque subantártico ou magalhânico, dominam a paisagem da área. As espécies de árvores que o representam são a “lenga” (Nothofagus pumilio), o “ginjeira” (Nothofagus betuloides) e em menor proporção o “mire” (Nothofagus antarctica), já mencionado no Norte do Lago Fagnano, convivendo com comunidades vegetais de menor porte, dominadas pelo “calafate” (Berberis buxifolia) e a “mata negra” (Chiliotricum difussum). Ao longo dos vales mais amplos e profundos também são atravessadas turfeiras e nos vales transversais são apreciados vestígios dos glaciares que há milhões de anos cobriam esta paisagem montanhosa. Algumas cimas atingem 1.500 m e é apreciada com precisão a linha limite do bosque, cobrindo a fralda montanhosa até os 650 m sobre o nível do mar. A Rota Nacional nº 3 é a que atravessa a Cordilheira pelo Paso Garibaldi (aproximadamente 450 m sobre o nível do mar). A rota continua no Sul e após no Oeste para chegar a seu fim dentro do Parque Nacional Terra do Fogo, cruzando a Reserva Provincial Tierra Mayor e margeando nos trechos finais a costa do Canal Beagle. Esta área também é atravessada pela Rota Provincial nº 33, que se estende no sentido Leste margeando o Canal Beagle e conduzindo às Fazendas Harberton e Moat, a algo mais de 110 km no Oriente de Ushuaia. Qual é a fauna mais representativa? Em todo o âmbito do território provincial – que inclui Antártida e Ilhas do Atlântico Sul é destacada a grande variedade de espécies de aves. As mais representativas são: pingüins, albatroz, petréis, gaivotas, andorinha-do-mar, cormorões, ostreiros, praieiros, patos, macáes, cauquenes, bandurrias, jotes, condores, águias, falcões e numerosas espécies de pássaros (furnáriídeos, tiranídeos, etc.), cada uma de elas em seu hábitat, somando aproximadamente duzentas espécies. Dos mamíferos terrestres destacam-se o guanaco, a raposa vermelha, roedores como o tuco-tuco e pequenos ratos de campo, entre os autóctones; enquanto o coelho, a raposa cinza, o castor, a rata almiscareiro, o visão e o peludo ou “armadillo” são os mais comuns entre os introduzidos e silvestres. Além disso, destacam-se o cervo-vermelho na Ilha de los Estados e a rena no Arquipélago de las Georgias do Sul, ambos introduzidos nos inícios do século XX. Em relação aos mamíferos marinhos, em todo o Mar Argentino circundante à Ilha Grande e a Península Antártica, são avistados com maior freqüência diversas espécies de lobos marinhos, golfinhos (incluída a orca), toninhas, baleias e focas. Ainda, ao longo das costas do Canal Beagle vive a nútria marinha, espécie ameaçada segundo a Lista Vermelha de Mamíferos Argentinos e vulneráveis segundo a UICN. Quão tão altas são as montanhas? Aqui dizemos que a alta montanha está ao alcance dos pés. Com muito pouco esforço é possível conhecer um ecossistema, que em outros locais está reservado quase exclusivamente a esportistas capazes de desafiar grandes alturas. Os Andes sulcam o nosso país em toda sua extensão. Em algumas províncias argentinas, “alta montanha” implica realizar deslocamentos de várias horas de veículo, ou talvez caminhadas exigentes, para ultrapassar como mínimo os 2.000 m de altura e assim chegar por cima do limite superior do bosque e se encontrar com algumas espécies da avifauna e da flora, ou com rastos de recentes glaciares ou ainda com glaciares propriamente ditos. O ecossistema que se apresenta a partir do limite superior do bosque é conhecido com o nome de “deserto andino”. As montanhas das imediações de Ushuaia oferecem aproximar-se a este ecossistema praticamente para todo visitante que o deseje, quase sem necessidade de sair da Cidade. Por exemplo, somente a 7 km de Ushuaia, e com ajuda de um teleférico, é muito fácil aproximar-se ao Glaciar Martial (link para Glaciar Martial), a pouco mais de 800 m de altura. Porém, não tem que descuidar todos os aspectos de segurança concernentes a uma saída de montanha e por causa disso sugerimos que consulte quais são as condições para que sua caminhada ou subida tenham garantido o sucesso. Tem glaciares? No passado nosso território foi coberto pelos gelos, fenômeno denominado glaciação. Este é um processo que compreende a origem, deslocamento e ocupação de uma superfície por uma enorme massa de gelo ou por um glaciar. Os expertos sabem que este processo foi repetido várias vezes na nossa região ao longo da história da Terra, mas quantas vezes foi produzido inda é objeto de discussão, embora se conheça com precisão o momento em que este evento realizou-se por última vez. Nos Andes Fueguinos houve durante períodos de glaciações paisagens similares aos que hoje existem na Antártida.Em Ushuaia aprecia-se o resultado deste processo, que teve lugar por última vez entre 125.000 e 18.000 anos antes do presente. E nas imediações sobrevivem pequenos glaciares, vestígios de aquele período, como o Martial. Uma vez retirados as massas e os rios de gelo, a rocha modelada nua só ficou acompanhada de depósitos glaciários e pequenos espaços ou refúgios de vegetação, que puderam sobreviver enquanto conviviam com os gelos e que foram os viveiros para repovoar a área, graças à delgada capa de solo que ia se formando. Nos últimos 10.000 anos foi consolidada a coberta de solo e sobre ela assentaram-se as primeiras sementes das plantas, conformando-se posteriormente o bosque de Nothofagus ou bosque subantártico. Como é o bosque? Uma das características mais remarcáveis do bosque fueguino é que corresponde ao bosque mais próximo à Antártida. Também é chamado comumente de bosque magalhânico ou subantártico. Um rasgo surpreendente das árvores que o compõem, principalmente do gênero Nothofagus, é sua capacidade para viver em condições sumamente rigorosas: uma delgada capa de solo (às vezes não supera os 10 cm), pendentes abruptas, expostos aos fortes ventos, com rajadas de mais de 100 km/h em algumas oportunidades e uma temperatura média anual (na zona de Ushuaia) de 5ºC e precipitações que variam entre os 300 e 5000 mm. Trata-se verdadeiramente de condições extremas e ali cresce este bosque de fagáceas, servindo de suporte a milhares de outros seres vivos que formam este ecossistema de características muito peculiares. Das três espécies que o formam, dois são de folhagem caduco: a lenga (Nothofagus pumilio) e o ñire (Nothofagus antarctica) e uma é perene, chamada ginjeira ou coihue de Magalhães (Nothofagus betuloides). Também há outras espécies de árvores, mas são muito menos abundantes. A espécie submetida a aproveitamento é principalmente a lenga. Que são as turfeiras? Talvez seja a primeira vez que você escute este termo, que possivelmente associe com “turfa”. Precisamente as turfeiras são os locais onde se forma a turfa. Trata-se de comunidades vegetais que ocupam os fundos de vales emprazados entre os Andes Fueguinos. Terra do Fogo é o único distrito no nosso país no que ocupam grandes extensões. Do ponto de vista turístico nos interessam como componente da paisagem quanto o seu aspecto estético, já que a variedade de cores e texturas que se apresentam nas superfícies das turfeiras são sumamente singulares; enquanto que de uma perspectiva mais estrita, que ao mesmo tempo também é turística, nos oferecem a possibilidade de conhecer organismos que somente podem viver nessas condições: muitíssima umidade e acidez, em um meio que poderia se comparar com um pântano, mas com muito menos conteúdo de nitrogênio. Ali se apresentam uma série de organismos que só podem viver baixo essas condições, entre os quais se encontram as plantas insetívoras da região e unicamente observando a superfície das turfeiras é possível encontrá-las. Além disso, há uma incipiente atividade econômica baseada na extração deste recurso natural, cujo produto se comercializa principalmente para uso em agricultura. O homem na Terra do FogoMartín Gusinde, quem conviveu com os nativos e dedicou grande parte de sua vida à edição da obra “Os índios da Terra do Fogo” escreveu: “O índio, livre, com hábil engenhosidade, soube se adaptar maravilhosamente bem a isso. Submeteu os escassos dons da natureza à sua vontade e desenvolveu seus dotes espirituais, também soube criar para si mesmo uma riqueza interior”. “Por horas e horas ficava sentado com eles na ronda [...] esforçava-me em me desfazer totalmente da forma de pensar européia, dos juízos valorativos modernos e do sentir pessoal, para conseguir compreensão e sensibilidade e poder captar um mundo conceptual sumamente particular. Não dizia o Dr. Fausto: “Se não o sentis, não o tereis jamais!”? Quem eram os que viviam aqui antes da chegada de Magalhães? As primeiras crônicas de navegantes espanhóis, franceses e ingleses descreviam os nativos da Terra do Fogo com certa carga pejorativa. “Selvagens”, “inumanos”, “criaturas inferiores” eram alguns dos qualificativos que ajudavam para sua descrição. Através das pesquisas arqueológicas hoje é conhecido que as primeiras ocupações humanas no Canal Beagle tiveram lugar há 7.000 anos e os descendentes destes primeiros habitantes mantiveram-se sempre ao longo das costas dos chamados Canais Fueguinos, mesmo até inícios do nosso século. A área onde atualmente se encontra emprazada Ushuaia, bem como o resto do setor argentino do Canal Beagle, estiveram habitados por nativos que a partir de sua chegada estavam adaptados à vida litoral marítima. Faziam parte de um grupo maior, conhecido hoje sob o nome de canoeiros magalhânicos. À chegada dos europeus, os canoeiros que moravam nesta área autodenominavam-se “yamana” ou “yaganes”. Atualmente vivem muito poucos descendentes deste grupo, no setor chileno, principalmente em Porto Williams. Além da bibliografia publicada pelos estudiosos do tema, é possível apreciar seus utensílios e outros apetrechos nas vitrines dos três Museus da Cidade de Ushuaia: o Museu Yámana, o do Fim do Mundo e o Marítimo, além de comoventes fotografias que chegaram a ser tiradas no fim do século XIX. No entanto, ainda persistem os locais onde os yamana passavam uma grande parte de sua vida. Completamente adaptados ao meio litoral marinho, alimentavam-se de carne de lobos marinhos, peixes, aves, colheita de moluscos e crustáceos e também de carne guanaco, já que, quando decidiam desembarcar, instalavam-se em certos locais da praia, que podemos associar hoje com a idéia de acampamentos. Nesses locais construíam choças, ou utilizavam alguma disponível, para descansar durante a noite em grupos familiares. Geralmente os resíduos (em uma grande porcentagem valvas de moluscos) eram jogados ao redor da choça, construída basicamente com ramas de lengas e ginjeiras, e uma vez desaparecida esta, os montículos foram cobrindo-se até que finalmente sobre eles cresceu vegetação. Precisamente esses são os locais arqueológicos sobre os que os antropólogos e arqueólogos realizam seus estúdios. A abundância de valvas de moluscos lhes fez ganhar o nome de sambaqui ou concheiras yámana. Hoje são locais protegidos pelas leis nacionais e provinciais já que formam parte do nosso patrimônio cultural. A área Norte da Ilha, onde o bosque é menos denso e predominam os ervaçais, foi ocupado por outro grupo de nativos, categorizados como caçadores-recolhedores pedestres, já que à diferencia dos canoeiros, não tiveram necessidade de procurar seu alimento no mar. Os ancestrais deste grupo chegaram à Ilha faz mais de 10.000 anos, traindo consigo sua tradição caçadora de animais terrestres, principalmente guanaco e pequenos roedores. Quando começaram as expedições à área da passagem interoceânica descoberta por Magalhães, os caçadores desta zona denominavam-se a si mesmos selk´nam, mas foram conhecidos sob o apelativo de “onas”. Sua forma de vida nômade fez com que os vestígios de sua cultura estejam atualmente dispersos por todo o território que ocuparam, sendo estudados aqueles lugares que, seja acidentalmente por remoção do terreno, seja pelas crônicas etnográficas ou pelas referências transmitidas oralmente, são selecionados pelos antropólogos. Suas armas e utensílios, como também suas crenças e lendas, são similares aos das etnias que viveram no Norte do Estreito de Magalhães, sobretudo de tehuelches, de quem provavelmente provinham. Em relação aos descendentes, moram na nossa Província alguns representantes mestiços desta etnia, mas se considera que a última descendente selk´nam foi a senhora Virgina Choquintel, falecida em 1990, em cuja honra foi batizado o Museu da Cidade de Rio Grande. Tanto neste museu como no da Missão Salesiana (Monumento Histórico Nacional) são exibidos utensílios, armas, fotografias e outros elementos vinculados à vida dos selk´nam. Um pouco de informação climaticaFaz sempre frio? Durante a época estival, no transcurso da mesma jornada podem suceder-se momentos de sol, de chuva… e até de neve. Na área limítrofe a Rio Grande, em plena estepe, não há bosque e os ventos são mais freqüentes. Chove menos que na área de Ushuaia, mas a temperatura média de verão para ambas as cidades é de 10ºC. A de inverno, pelo contrário, ronda entre 0º C e 1º C. Também o efeito do vento (quase sempre procedente do Pacífico Sul) contribui a que a sensação térmica seja menor. A área do Canal Beagle, flanqueada pelas cadeias montanhosas da cordilheira que ultrapassam os 1000 m fica a salvo de ventos muito fortes, ainda que em forma excepcional possam alcançar os 100 km por hora.
Que acontece com a luz solar? Anoitece no verão? Em pleno verão a luz do sol perdura por mais de 17 horas ao dia, enquanto no inverno a luz natural (não o sol direto) apenas se mantém durante 7 horas. Em dezembro e janeiro, é comum aproveitar o dia ao máximo e quando você sentir fome, vai perceber que falta muito pouco para a meia-noite e ainda o sol está irradiando luz. Pelo contrário, no inverno clareia tarde pela manhã e ao redor das 17:30 h já começa a anoitecer. Este fenômeno produzido pela latitude na que estamos em Ushuaia, é motivo para celebrar a Festa Nacional da Noite mais Longa. Como preparo minha equipagem? A respeito da indumentária ideal, aqui usamos roupa informal para quase todas as ocasiones. O mais adequado são agasalhos, ainda que para alguns dias seja suficiente uma camisa com uma jaqueta, no possível impermeável. Um calçado confortável para as caminhadas em áreas úmidas do bosque, preferivelmente botas “de trekking”, um par de luvas e boné (que ocupam pouco espaço) e assim sua equipagem estará pronta. Atenção: caso decida nos visitar na temporada invernal, leve em conta que a temperatura pode descer vários graus abaixo de zero e a sensação térmica pode chegar a vinte graus abaixo de zero. Neste caso, será necessário um equipamento especial que deve incluir roupa e calçado capaz de se enfrentar com o frio, o vento, a neve e o gelo. Porque há tantos turistas estrangeiros que visitam a Terra do Fogo? São diversos os motivos que estimulam o deslocamento de visitantes a locais tão remotos como a nossa terra. Sem dúvidas, o nome por si só exerce uma forte atração a todo viajante potencial que tenha interesse em conhecer algo do que escutou falar alguma vez, talvez quando era muito novo. Além disso, o deslocamento de Ushuaia a transforma na Cidade mais próxima do Pólo Sul (embora se encontre a quase 4.000 km) e por isso é conhecida como “a mais austral do mundo”, um título que também funciona como atrativo por si próprio. E ainda que os argentinos estejamos costumados às grandes extensões não habitadas, as paisagens da Terra do Fogo e particularmente de Ushuaia, compreendem vastas áreas de bosques e turfeiras sobre um releve montanhoso, combinação não muito freqüente na natureza.Isso chama permanentemente a atenção de visitantes estrangeiros (sobretudo de origem européia) que encontram fascinante o fato de transitar por caminhos de dezenas e até de centos de quilômetros acompanhados permanentemente por bosque de espécies autóctones, com pouca intervenção humana. Apesar de que o homem tem utilizado o bosque para seu aproveitamento florestal, o marco paisagístico que hoje oferece impressiona por seu aspecto prístino. No nosso bosque não se apresentam espécies arbóreas exóticas e oferece ao observador a possibilidade de compreender como funciona este ecossistema, em condições tão singulares como as que imperam na nossa região. O bosque, então, cobrindo as fraldas dos Andes Fueguinos, modelados por glaciares alguns milhares de anos atrás, oferecem o suporte para a presença de diversas comunidades vegetais com sua correspondente fauna, que, embora não seja em estado prístino, ainda mantém características que oferecem a possibilidade de ser desfrutados. Quando começou o turismo nesta região? Os primeiros turistas que chegaram à Terra do Fogo, o fizeram nos inícios do século XX, na época em que as viagens de cruzeiro eram comuns a muitos lugares do mundo. As pessoas que estão à procura de viagens algo extravagantes, escolhiam itinerários que os levassem a estas latitudes. Entre os grandes cruzeiros que visitaram Ushuaia aparecem nas publicações da época o Vapor Blucher (sem informação de data), o Cap Polônio (1923), o Antonio Delfino (1929 / 1930), o Asturiano (1930), o Monte Cervantes (1930, protagonista de um muito famoso naufrágio na frente de Ushuaia) e finalmente o Monte Pascoal (1934). Depois houve um período de eventuais visitas até que na década de 1970 foram retomadas as viagens com embarcações mais modernas e se iniciaram os vôos comerciais à região, consolidando-se a partir dos anos ´80. O grande crescimento do turismo foi produzido por vários fatores que se combinaram nos últimos anos, entre os quais se destaca o auge de viagens a locais remotos e o benefício de um câmbio monetário favorável para o turismo estrangeiro. Algumas generalidades da Província da Terra do Fogo, Antártida e Ilhas do Atlântico SulO Continente Americano fica no Hemisfério Ocidental e se estende nos Hemisférios Norte e Sul. Está rodeado totalmente por mares e oceanos. A República Argentina está localizada no extremo Sul deste extenso continente, sendo a Província da Terra do Fogo seu ponto mais austral. A situação geográfica da Argentina faz com que fique longe do Hemisfério Norte, lugar onde se concentram os principais centros de decisão econômica e política e os mais importantes mercados. No entanto, as mudanças geopolíticas e tecnológicas acontecidas nos últimos anos do século XX fazem relativas as distâncias e permitem hoje em dia que cheguem, tanto ao nosso país quanto à nossa Província, visitantes de todas as latitudes. Que território corresponde à Província argentina da Terra do Fogo? Na divisão política da Argentina, o Território Antártico e as Ilhas do Atlântico Sul correspondem por jurisdição à nossa Província, apesar de serem territórios separados por milhares de quilômetros de mar. Por este motivo, o nome completo da nossa Província (a última que alcançou esta categoria no nosso país) é o de Terra do Fogo, Antártida e Ilhas do Atlântico Sul. Gostaria de conhecer algumas características geopolíticas da nossa Província? O Território Argentino é tão amplo que somente sua porção emergida do Continente Americano - quase 2.800.000 Km2, ocupa o oitavo lugar no mundo, emprazada nos Hemisférios Sul e Ocidental. Pese a seu grande extensão territorial, a Argentina apresenta uma das mais baixas densidades demográficas do mundo.
Segundo os limites fixados na Lei 23.775 de “Provincialização do último Território Nacional” do ano 1990, a superfície total da Província é de 1.002.445 Km2. Sua capital, Ushuaia, é a Cidade mais austral do mundo e os outros centros urbanos são Rio Grande e Tolhuin. Gostaria de ver como é cada Cidade?:
Como é Rio Grande?Está localizada na zona Norte da Ilha Grande da Terra do Fogo, mais precisamente na margem Norte do Rio Grande, na sua desembocadura no Oceano Atlântico. O departamento de Rio Grande abrange uma superfície de 12.181 km2, incluída a Comuna de Tolhuin. No final do século XIX, o lugar adquiriu fama pelas areias auríferas de suas praias, o que permitiu desenvolver a exploração mineira. Rio Grande foi fundada oficialmente no dia 14 de Julio de 1921 como uma colônia agrícola. Graças à Lei de Promoção Industrial (nº 19640/72) foram radicadas várias companhias de produtos eletrônicos, dando à Cidade um perfil marcadamente industrial. Conforme informação do ano 2004 tem uma população de 68.776 habitantes. Hoje é uma pujante localidade transformada na "Capital Internacional da Truta". Possui magníficos locais naturais e históricos. Parte da Reserva Provincial Costa Atlântica está na frente da Cidade. Descubra o encanto desta remota região, onde as suaves planícies dão lugar a rios que são desenhados sobre o releve. Como é Tolhuin?A Comuna de Tolhuin é o centro urbano do "Coração da Ilha". Está situada nas proximidades da cabeceira do Lago Fagnano, sobre a antiga traça da Rota Nacional nº 3. Dista de Ushuaia 98 km, de Rio Grande 105 km e de San Sebastián 183 km. Tem uma população de aproximadamente 1.300 habitantes. Para aqueles que transitam a Rota Nacional nº 3 e para aqueles que nos visitam é um maravilhoso lugar onde se pode desfrutar dos atrativos naturais próximos, tais como as Reservas Provinciais Coração da Ilha, Lagoa Negra e Rio Valdez. Como é Ushuaia?Ushuaia, a capital provincial, está situada na margem do Canal Beagle e rodeada pela cadeia montanhosa do Martial, em uma baía de singular beleza protegida pelos ventos. Conforme informação do ano 2004 tem uma população de 58.898 habitantes. Seu nome provém da língua yámana e é interpretada como “baía que penetra o pôr-do-sol”. O departamento de Ushuaia tem uma superfície de 9.390 km2 (inclui Ilha de los Estados e as Ilhas do Beagle). As margens do Canal Beagle e a Cadeia Martial dão o marco natural sobre o qual se estende esta localidade. É a Cidade mais austral do mundo. Oferece uma paisagem única na Argentina, através da combinação de montanhas, mar, glaciares e bosques. A variada topografia tem gerado uma cidade sumamente pitoresca que combina cores e desníveis, acompanhando a silhueta dos Andes que se recorta contra o firmamento. Nas proximidades existem várias áreas naturais protegidas, tais como o Parque Nacional Terra do Fogo, Praia Larga, Terra Mayor, etc. Ushuaia não é apenas uma pequena Cidade no extremo do mundo, é a natureza e a aventura na sua máxima expressão. É o centro urbano mais austral do planeta, fonte de inspiração e desafio, de mitos e lendas que perduram ainda para aqueles que jamais pisaram estas terras ou navegaram os mares ao sul do Sul. Como são as Ilhas Malvinas?O Arquipélago das Ilhas Malvinas está formado por duas ilhas maiores (Gran Malvina e Soledad) e mais de 200 ilhas e ilhotas que ocupam uma superfície de 11.140 Km2, situadas a menos de 700 Km da costa patagônia, a 52º de latitude Sul. Estas ilhas estão situadas sobre uma meseta e se consideram relacionadas geologicamente com as serras austrais de Buenos Aires e o dobramento do Cabo da África. De costas predominantemente escarpadas, alternadas com enseadas e algumas baías com praias de areia branca, seu interior está coberto por pradarias e afloramentos quartzíferos, salpicados por lagoas e turfeiras, com elevações que não superam os 700 m de altura. Carentes por completo de árvores e azotadas pelos fortes ventos do Atlântico Sul, as Ilhas Malvinas são um paraíso para a fauna marinha, a qual se transformou em um importante atrativo turístico. Como é a Ilha de los Estados?A Ilha de los Estados é a mais oriental do arquipélago fueguino. Situa-se imediatamente ao Este da Península Mitre, prolongação oriental da Ilha Grande da que está separada pelo Estreito de Le Maire, cuja largura é de 24 km. De característica silhueta irregular e alongada, estende-se em sentido Leste-Oeste por unos 65 km. Sua largura varia de 500 m, na parte mais estreita até 16 km na seção de maior amplitude, e por suas características é considerada uma ilha oceânica. A ilha foi protagonista de ações vinculadas ao Comandante Luis Piedra Buena, quem a recebeu como proprietário de parte do Estado Nacional, graças a sua importantíssima e desinteressada colaboração prestando serviços nos Mares Austrais quando não existiam estabelecimentos formais que custodiassem a nossa soberania nestas latitudes.Lá funcionou um presídio, antecessor do que depois foi instalado em Ushuaia. Atualmente está suspenso seu uso turístico, razão pelo qual não estão autorizados desembarques nem visitas, dada sua categorização como Reserva Natural Ilha de los Estados (Área Natural Protegida). Como é a Antártida?Remota, inóspita e extrema, a Antártida é o continente mais frio, seco e ventoso do planeta. Gostaria de saber mais alguma coisa? Sus 14.000.000 Km2 permanecem abaixo do gelo durante todo o ano, cobrindo a massa continental e o mar circundante. Somente algumas áreas costeiras sem gelo, apenas 2% de a superfície total, interrompem a uniformidade da paisagem. O limite geofísico Norte da Antártida está determinado pelo paralelo 60º Latitude Sul, conhecido como Convergência Antártica. Além de ser um continente extenso, a Antártida é o mais alto de todos os continentes, com uma altura média aproximada de 2.050 m. sobre o nível do mar, contra uma média mundial de 600 m. Isto é devido principalmente à grossa capa de gelo que cobre à Antártida, e seus elevadas e extensas cadeias montanhosas que cruzam o continente, com alturas que superam frequentemente os 4.000 m a 4.500 m sobre o nível do mar. O Oceano Atlântico, um dos mais frios e profundos, separa mediante distâncias enormes o continente branco de qualquer terra emergida. O continente mais próximo é América do Sul, 1.000 km separam à Península Antártica da Cidade de Ushuaia, Capital da Província de Terra do Fogo. Distâncias maiores a separam da Nova Zelândia (2.200 Km.), da Austrália (2.250 Km.) ó da África do Sul (3.600 Km.). Locais e Monumentos Históricos Nacionais
Áreas Naturais Protegidas
Quer conhecer mais do que lhe apresentamos?Consulte esta lista de Bibliografia, de autores da Terra do Fogo:
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